O início de um blog nunca é fácil, ainda mais quando não se conhece nenhuma outra pessoa que navega na blogosfera. Eu não fui exceção e tive a honra do Paulo ser meu primeiro visitante e me ajudar com algumas sugestões. Lá se vão quase cinco meses e como o tempo passa rápido.
Acho que dispensa apresentação, mas o Paulo, ou Speeder_76, é jornalista e tem um dos blogs mais referenciados quando o tema é automobilismo, o Continental Circus. Ainda vale lembrar que no próximo domingo, dia 12 de julho, é o seu trigésimo terceiro aniversário. Uma data que certamente não será esquecida e o roteiro de comemoração começa agora. Segue o texto:
Confesso que já devia este texto ao Bruno, pois sou daqueles que gostam de ler imenso o seu blog. Como pessoalmente sigo dezenas, e com o tempo o meu interesse diminui, são raros os que mantêm o meu entusiasmo com o tempo. O Bruno é um deles.
Nasci uma década antes do Bruno, em Vitória. E tive o privilégio de crescer nos anos 80 e ver o auge dos motores Turbo, uma era em que na qualificação, chegavam a dar 1200 cavalos de potência, no caso dos motores Renault, os que introduziram essa tecnologia na Fórmula 1.
A minha primeira recordação distante é acordar bem cedo, no Domingo, para ver a Fórmula 1. A primeira corrida que tenho a certeza de ter assistido foi Cesar’s Palace 1981, a corrida onde Nelson Piquet bateu Carlos Reutmann e conquistou o seu primeiro título mundial. Outra recordação forte aconteceu meses depois, quando Gilles Villeneuve teve o seu acidente fatal, em Zolder. Lembro da notícia abrir o Jornal Nacional, com o Cid Moreira (creio), e dos meus pais e avós a falarem sobre um “Pato”. Anos depois, descobri que aquilo que a minha mãe falava era do Carlos Pace, que tinha morrido em 1977 num acidente aéreo.
Pouco tempo depois, os meus pais moveram-se definitivamente para Portugal, e perdi um pouco o contacto com a Fórmula 1. Só quando Portugal entrou na rota da Fórmula 1 em 1984, e da total loucura que isso deu por aqui é que voltei ao contacto com a competição. Vi o pódio, com o Alain Prost a comemorar uma “vitória de Pirro”, pois o seu companheiro Niki Lauda tinha levado o título por apenas meio ponto. E o Ayrton Senna a comemorar o seu terceiro pódio da sua carreira.
E mais tarde nesse dia, vi algo incrível: os três primeiros classificados a serem entrevistados em directo no “nosso” Telejornal. Confesso que nessa altura fiquei espantado… se alguém tiver isso gravado em VHS, passem para o Youtube logo, logo, que gostaria de voltar a ver isso outra vez!
Mas o “tal momento”, o tal “clique” que me fez passar de admirador a adepto, tem data: 21 de Abril de 1985. Sim, era Dia de Tiradentes no Brasil, e Tancredo Neves agonizava em São Paulo. Em Lisboa chovia forte, e o Grande Prémio de Portugal iria ser disputado nessas condições. Naquele Domingo à tarde, sem nada com que fazer, assisti á corrida, com a mente aberta para saber como é que seria. Na frente vi dois carros negros, e um deles tinha um capacete amarelo. Já sabem quem é, não?
Com o tempo, ficava admirado ao ver os outros a saírem e ele não. Andava calmamente, á chuva, rápido e sem erros. Via Alain Prost a despistar-se e ele não. Via Elio de Angelis a sair de pista e ele não. Via Keke Rosberg a sair e ele não… à medida que as voltas passavam, via tudo aquilo e crescia a minha admiração por ele. E pensava, na minha imaginação de rapaz com oito anos de idade: ”Não acredito! Pode-se conduzir assim?”
No final da corrida, fiquei exultante por ver Ayrton Senna vencer a sua corrida. Nem sabia que era a sua primeira vitória (soube depois), mas aquilo que mais me marcou foi ouvir o meu avô, que tinha assistido à corrida (éramos assim: avô, pai e eu víamos sempre as corridas. A minha mãe nem tanto…) O meu avô disse-me uma frase que até hoje não me esqueço: “Tas a ver esta pessoa? É o teu patrício. A partir de agora deves apoiá-lo”. Ele ficara tão admirado quanto eu. A partir dali, nós os três passamos a ser apoiantes de Ayrton Senna até ao fim.
O meu avô morreu em Fevereiro de 1993, dois meses antes do último recital de Senna na chuva, em Donnington Park. Quando o próprio Senna morreu, 15 meses depois, pensei na altura na reacção do meu avô, caso tivesse assistido a este fim-de-semana fatídico.
De resto, a minha paixão pela Formula 1 cresceu com os anos. Passou-me pela cabeça ser piloto de competição, claro, mas na altura, as condições não eram boas para praticar karting. Hoje em dia, vivo num sítio onde tenho 4 kartódromos num raio de 40 quilómetros… hoje em dia, quero acreditar que o jornalismo é uma forma algo mitigada de concretizar o meu sonho do automobilismo. E com o tempo, passei a conhecer a história da Fórmula 1 e os que passaram por lá, os campeões, os actos de heroísmo dos seus pilotos, os pilotos que mereciam ser campeões e nunca o foram, como Stirling Moss, Ronnie Peterson e Gilles Villeneuve, os mártires da causa, e as histórias e “historietas” que enriquecem este desporto.
Hoje em dia, com todas estas polémicas, a cisão, a luta por poder e dinheiro, entre a teimosia de um velho agarrado pelo poder e este “paddock” demasiado limpo, demasiadamente “politicamente correcto”, um bom mergulho ao passado pode até fazer bem à alma. Não falo no estilo “no meu tempo é que era bom”, mas é para mostrar que no tempo em que as boxes não tinham o tamanho de hangares de aeroporto, em que os pilotos fumavam e diziam palavrões, os mecânicos sujavam-se à frente de toda a gente, e os bilhetes não tinham custos estratosféricos, as coisas tinham muito mais piada do que hoje. Carpe Diem!
Quer ser o próximo a contar sua história? Só me mandar um email com seu texto que irei publicá-lo aqui, um a cada mês. Até Agosto.
13 comentários:
Muito legal seu texto, Paulo.
Fico muito feliz pelas palavras e para mim é um grande elogio.
Muito legal essa proximidade com Senna e a grande ligação com Portugal que destacou em seu texto.
Interessante saber que assim começou sua paixão por automobilismo que foi aliada com outra, o jornalismo, criando mais que um blog.
Não irei antecipar as palavras sobre o aniversário, pois tenho certeza que terá um post relacionado ao tema no domingo.
Muito obrigado por participar. Ajudou juntamente ao Raphael e o Pablo a construir um dos espaços que mais gosto aqui. ;-)
Fantástico. Speeder escreve bem. Tem uma ótima maneira de esplanar seu pensamento. Mais ainda quando se trata dele mesmo.
Para saberes Bruno, o Continental Circus foi fonte de inspiração para o SM.
Speeder é um grande amigo.
Abraço.
SAVIOMACAHADO
Parabéns daqui do meu humilde cantinho. Engraçado que em janeiro de 1985 eu passei 3 semanas dando voltas e voltas no Autódromo do Estoril, numa promoção da Ford Lusitana para o lançamento da Formula Ford em Portugal, e foi uma época fantástica, razão de meu amor por Portugal. Entre outros ali se encontravam, Damon Hill, Julian Bailey....mas isso eu conto oportunamente no meu blog.
Abração Paulo, e parabéns de novo, Brunão.
Show de bola o texto, Bruno! Realmente o Continental Circus é referência para todos da blogosfera. Parabéns pela iniciativa.
P.S.: Seu Cruzeiro vai perder o título dentro do Mineirão hein...rsrsrrss
Abraço!
Leandro Montianele
Speeder é uma das grandes referência sno blogosfera, ótimo texto.
e Cezar,enquanto em janeiro de 85 vc dava voltas no autodromo de esoril, eu estava nascendo!
Excelente texto...Speeder é uma das grandes referências nesse "mundo maluco" conhecido como blogosfera (um mundo no qual eu estou gostando muito)...tanto no Brasil como na Europa...
Abraços
Parabéns ao Speeder... E ao Bruno, claro.
http://historiasevelocidade.blogspot.com/2009/07/os-carros-da-brawn-sao-os-mais-leves-do.html
Bruno e seus leitores:
divulgando mais uma vez o nosso blog, o Histórias e Velocidade.
E agora, com vários posts tentando entender o dia dessa clasisficação em Nurburgring. O último post, feito por mim e pelo Jobson, traz nossos pitacos para a corrida. Confiram!
e meus parabéns ao Speeder e ao Bruno, porque os dois são caras muito criativos, que tem excelentes blogs e são referência para o Hiatorias e Velocidade. Abs
ps: até quarta mando o meu texto!
http://historiasevelocidade.blogspot.com/2009/07/como-esperado-fernando-alonso-o-mais.html
divulgando aqui o blog com os pitacos sobre o treino impressionante de sábado e o acidente de Massa. Confiram!
aparece lá, sumido..e ainda to devendo o texto nessa coluna...tu vai ter que me relembrar a estrutura =P
http://historiasevelocidade.blogspot.com/2009/07/uma-vitoria-reveladora.html
novo post no Historias e Velocidade, comentando a corrida, que revela muito mais do que parece sobre as estruturas de poder na F1. E agora com notas da equipe do blog!
Abraços
belo post amigo ! parabéns!
Ola a todos que conferem o F1 database, queria divulgar aqui a coluna " Uma Opinião", que esta semana fala sobre Rubens Barrichello
Acredito que fiz uma crítica no sentido real da palavra, procurando atribuir uma análise de pontos positivos e negativos, e do que Rubens representa para mim na F1 desde a minha infância, afinal ele é um elo dessa infância e ainda é o piloto pelo qual torço por melhores resltados.
A todos que puderem conferir, um abraço
http://historiasevelocidade.blogspot.com/2009/07/uma-opiniao-rubens-barrichello.html#comments
Allô Bruno!
Que se passa? Não tens actualizado o teu blog?!? Está tudo bem?
Já começo a "ressacar" de não teres novas estórias da F1.
Abração
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